O Dia em que a Ciência Tornou os Milagres Reais No inverno de 1922, a ala pediátrica de diabéticos do Hospital Geral de Toronto era um lugar de desespero silencioso. Cinquenta ou mais camas alinhavam-se na longa sala, cada uma ocupada por uma criança com diabetes tipo 1. Numa manhã de janeiro, uma pequena equipe de pesquisadores entrou carregando frascos de um líquido claro e recém-purificado. Frederick Banting, Charles Best, James Collip e seus colegas haviam passado o ano anterior extraindo e refinando um hormônio em um apertado laboratório da Universidade de Toronto. Eles o chamaram de insulina. Eles se moveram de cama em cama. Ninguém sabia ao certo se funcionaria em humanos; os testes em animais tinham sido promissores, mas este era o momento da verdade. Quando chegaram à última criança inconsciente e pressionaram o êmbolo, algo surpreendente aconteceu na extremidade da ala. A primeira criança que havia sido injetada (Leonard Thompson, de 14 anos) se mexeu, abriu os olhos e olhou ao redor, confusa. Minutos depois, outra se sentou. Então outra. Uma a uma, as crianças começaram a acordar, a cor voltando aos seus rostos, pedindo água, comida, suas mães. A sala que havia estado pesada de tristeza de repente ecoou com suspiros, risadas e pais em prantos que não podiam acreditar no que estavam vendo. A vida estava voltando. Naquele mesmo ano, Banting, Best e Collip decidiram ceder a patente da insulina à Universidade de Toronto por um dólar cada. Eles se recusaram a lucrar com sua descoberta, dizendo que ela pertencia a cada criança, em qualquer lugar, que de outra forma enfrentaria as mesmas camas e o mesmo destino.